{"id":1255,"date":"2020-11-16T17:12:59","date_gmt":"2020-11-16T16:12:59","guid":{"rendered":"http:\/\/cpcsa.pt\/?page_id=1255"},"modified":"2020-11-16T18:09:51","modified_gmt":"2020-11-16T17:09:51","slug":"evidencias-geneticas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/cpcsa.pt\/?page_id=1255","title":{"rendered":"Evid\u00eancias gen\u00e9ticas"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por: Jo\u00e3o Ribeiro, Pedro Delerue, Helena Dornellas Cysneiros<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Estudos gen\u00e9ticos realizados com DNA mitocondrial (mtDNA), transmiss\u00edvel unicamente de m\u00e3e para filhos, demonstram existir partilha de hapl\u00f3tipos entre as ra\u00e7as caninas portuguesas do continente. O C\u00e3o da Serra da Estrela, aquela que entre as ra\u00e7as portuguesas mais variabilidade gen\u00e9tica apresenta, partilha hapl\u00f3tipos com o C\u00e3o da Serra de Aires (Barbara van Asch et al., 2005). O que seria de esperar, considerando a pr\u00e1tica da transum\u00e2ncia das terras altas da Serra da Estrela para as plan\u00edcies alentejanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os mesmos autores referem estar o haplogrupo A presente em todas as ra\u00e7as. Mesmo haplogrupos mais incomuns est\u00e3o distribu\u00eddos por todas as ra\u00e7as e \u00e1reas continentais, tendo constatado que a dist\u00e2ncia gen\u00e9tica entre ra\u00e7as n\u00e3o est\u00e1 correlacionada com a geografia. A partilha de hapl\u00f3tipos entre ra\u00e7as da mesma regi\u00e3o \u00e9 menor que a existente entre ra\u00e7as de diferentes regi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda segundo Barbara van Asch (2005), quatro ra\u00e7as portuguesas estudadas, Castro Laboreiro, Serra da Estrela, Serra de Aires e Fila de S. Miguel,&nbsp; apresentam grande diversidade de hapl\u00f3tipos pertencentes a diferentes haplogrupos, como tamb\u00e9m entre hapl\u00f3tipos dentro do mesmo haplogrupo, particularmente no haplogrupo A, que \u00e9 prevalente nas ra\u00e7as portuguesas \u2013 frequ\u00eancia de 77%, quando comparada com os 68% observados nas ra\u00e7as europeias \u2013 o que \u00e9 indicador de contributos de diferentes antepassados, em contraposi\u00e7\u00e3o com a expans\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es locais.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa constata\u00e7\u00e3o \u00e9 um indicador no mesmo sentido do que vem sendo apontado. O C\u00e3o de Serra de Aires \u00e9 um c\u00e3o regional, que, como \u00e9 cren\u00e7a, at\u00e9 pode ter recebido contributos de um casal de Pastor de Brie, tamb\u00e9m os tendo recebido do C\u00e3o da Serra da Estrela, durante mais tempo e de mais e diferentes progenitores, bem como do pr\u00f3prio Rafeiro do Alentejo, que com ele lado a lado convivia, mas poder\u00e1 n\u00e3o ter existido a expans\u00e3o que se propala, com epicentro num \u00fanico local. O isolamento a que o votava o seu Alentejo preservou-o na sua identidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos realizados mostram que as ra\u00e7as caninas apresentam forte diferencia\u00e7\u00e3o. Um estudo englobando nove ra\u00e7as portuguesas e cinco popula\u00e7\u00f5es de c\u00e3es perif\u00e9ricos com as quais existem afinidade regionais mostrou que, embora o n\u00edvel de diferencia\u00e7\u00e3o racial detectado seja inferior ao de outras ra\u00e7as de c\u00e3es, h\u00e1, na maioria dos casos, uma correla\u00e7\u00e3o entre afilia\u00e7\u00e3o racial e estrutura molecular (A. E. Pires et al., 2009). Polimorfismos de Comprimento de Fragmento Amplificado (AFLPs) est\u00e3o entre os marcadores mais informativos usados em estudos de gen\u00e9tica populacional, oferecendo uma maior capacidade de discrimina\u00e7\u00e3o estat\u00edstica em an\u00e1lise de popula\u00e7\u00f5es, particularmente em casos de fraca diferencia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados combinados do estudo de A. E. Pires (2009) indicam que o C\u00e3o da Serra de Aires, como tamb\u00e9m o C\u00e3o de Castro Laboreiro, o C\u00e3o de Gado Transmontano, o Perdigueiro Portugu\u00eas, o C\u00e3o de \u00c1gua Portugu\u00eas e o C\u00e3o de Fila de S. Miguel s\u00e3o ra\u00e7as com composi\u00e7\u00f5es genot\u00edpicas mais espec\u00edficas, que correspondem a distribui\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas distintas.<\/p>\n\n\n\n<p>Igualmente, os resultados das an\u00e1lises efectuadas agrupam geneticamente as popula\u00e7\u00f5es do C\u00e3o da Serra de Aires, C\u00e3o d\u2019\u00c1gua Portugu\u00eas, Perdigueiro Portugu\u00eas, Aidi e Sloughi, estas duas \u00faltimas ra\u00e7as do Norte de \u00c1frica. An\u00e1lises subsequentes a este grupo, separam claramente o Castro Laboreiro das restantes ra\u00e7as. Exemplares desta ra\u00e7a apresentam exactamente o mesmo hapl\u00f3tipo de mtDNA, o que constitui um caso \u00fanico no contexto das ra\u00e7as nacionais (Barbara van Asch, 2005).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como curiosidade, refira-se que no estudo de van Asch (2005) n\u00e3o foram detectadas evid\u00eancias de diferencia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica entre o C\u00e3o da Serra da Estrela e o Rafeiro Alentejano. Refer\u00eancias hist\u00f3ricas suportam a sua estreita rela\u00e7\u00e3o, afirmando o C\u00e3o da Serra da Estrela como antepassado do Rafeiro Alentejano. Com a grande homogeneidade gen\u00e9tica entre o C\u00e3o da Serra da Estrela e o Rafeiro Alentejano, n\u00e3o \u00e9, pois, de estranhar que com eles o C\u00e3o da Serra de Aires partilhe marcadores gen\u00e9ticos, mais n\u00e3o seja, por via da pr\u00e1tica da transum\u00e2ncia e pela conviv\u00eancia no mesmo solar e ac\u00e7\u00e3o conjunta na actividade pastor\u00edcia. Essa evid\u00eancia \u00e9 apontada por van Asch (2005) ao constatar que o C\u00e3o da Serra de Aires partilha tr\u00eas dos seus cinco haplotipos com o C\u00e3o da Serra da Estrela. Excluir a exist\u00eancia de cruzamentos entre o C\u00e3o da Serra de Aires e o Rafeiro do Alentejo n\u00e3o tem suporte no conhecimento actual da gen\u00e9tica das duas ra\u00e7as alentejanas.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/cpcsa.pt\/?page_id=1239\">Origem <\/a>| <a href=\"http:\/\/cpcsa.pt\/?page_id=1241\">Evolu\u00e7\u00e3o Convergente<\/a> | <a href=\"http:\/\/cpcsa.pt\/?page_id=1247\">Via terrestre<\/a> | <a href=\"http:\/\/cpcsa.pt\/?page_id=1252\">Via mar\u00edtima<\/a> | <a href=\"http:\/\/cpcsa.pt\/?page_id=1255\">Evid\u00eancias gen\u00e9ticas<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Jo\u00e3o Ribeiro, Pedro Delerue, Helena Dornellas Cysneiros Estudos gen\u00e9ticos realizados com DNA mitocondrial (mtDNA), transmiss\u00edvel unicamente de m\u00e3e para filhos, demonstram existir partilha de hapl\u00f3tipos entre as ra\u00e7as caninas portuguesas do continente. 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