{"id":1241,"date":"2020-11-16T16:59:19","date_gmt":"2020-11-16T15:59:19","guid":{"rendered":"http:\/\/cpcsa.pt\/?page_id=1241"},"modified":"2020-11-16T18:07:35","modified_gmt":"2020-11-16T17:07:35","slug":"uma-adaptacao-regional-evolucao-convergente","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/cpcsa.pt\/?page_id=1241","title":{"rendered":"Uma adapta\u00e7\u00e3o regional. Evolu\u00e7\u00e3o convergente"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por: Jo\u00e3o Ribeiro, Pedro Delerue, Helena Dornellas Cysneiros<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 de aceita\u00e7\u00e3o consensual entre v\u00e1rios autores que o c\u00e3o de pastor de p\u00ealo comprido descende de um ancestral comum, o Ovcharka, um c\u00e3o origin\u00e1rio da R\u00fassia Meridional. \u00c9 igualmente aceite que a grande maioria dos c\u00e3es pastores de p\u00ealo comprido evolu\u00edram em ambiente de montanha. A sua distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica est\u00e1 circunscrita \u00e0 Europa ocidental, sendo a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica o seu limite mais meridional e tendo como m\u00e1ximo representante o C\u00e3o da Serra de Aires.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela que parece ser mais uma peculiaridade do nosso C\u00e3o da Serra de Aires, o ambiente da sua evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi em montanha, mas sim em regi\u00e3o peneplana. O p\u00ealo comprido e c\u00e1preo que o caracteriza poder\u00e1 n\u00e3o ser uma adapta\u00e7\u00e3o ao frio pr\u00f3prio das regi\u00f5es montanhosas de altitude mais elevada e das regi\u00f5es intra-continentais mais setentrionais, mas ser, antes, uma adapta\u00e7\u00e3o a factores mais locais, ambientais e outros. A aus\u00eancia de sub-p\u00ealo, uma peculiaridade exclusiva que o distingue de outras ra\u00e7as de c\u00e3es pastores de p\u00ealo comprido, pode ser disso maior evid\u00eancia. Por outro lado, pode igualmente ser indicador de uma evolu\u00e7\u00e3o regional, convergente com outras, p\u00ealo comprido, mas controlada por factores distintos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob essa perspectiva, e aceitando a origem asi\u00e1tica do c\u00e3o dom\u00e9stico, \u00e9 de admitir que c\u00e3es de p\u00ealo similar, no caso, comprido, \u00e1spero e seco, possam n\u00e3o ter o mesmo ancestral comum directo, antes constituir exemplos de evolu\u00e7\u00e3o convergente. O p\u00ealo comprido \u00e9 uma caracter\u00edstica que resulta de uma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, e pode aparecer em c\u00e3es de p\u00ealo curto.<\/p>\n\n\n\n<p>Carla Cruz (2007), citando Helmer (1992), refere que as caracter\u00edsticas de uma ra\u00e7a est\u00e3o fixadas ao fim de trinta gera\u00e7\u00f5es, o que, nos c\u00e3es, corresponde a um per\u00edodo de sessenta anos.<\/p>\n\n\n\n<p>O conde de Castro Guimar\u00e3es, por morte de seu pai, herda o Monte de Serra d\u2019Aires em 1881. Em Fran\u00e7a, por esta altura, em 1889, come\u00e7a a ser feita a caracteriza\u00e7\u00e3o e a separa\u00e7\u00e3o do Pastor de Brie do Pastor de Beauceron, at\u00e9 a\u00ed duas ra\u00e7as indiferenciadas, mais ou menos homog\u00e9neas.<\/p>\n\n\n\n<p>Pi\u00e9rre M\u00e9gnin, veterin\u00e1rio militar, grande obreiro da classifica\u00e7\u00e3o das ra\u00e7as francesas de c\u00e3o de pastor, descreve o Pastor de Beauceron como de \u201c<em>pelagem geralmente escura, com fogo na cabe\u00e7a, nos p\u00e9s, e muito provavelmente na face interna dos membros<\/em>\u201d. O Pastor de Brie, de p\u00ealo longo, considerado por ele um cruzamento do Beauceron com o Barbet, \u201c<em>tem pelagem crespa, com madeixas cobrindo n\u00e3o s\u00f3 o corpo, mas tamb\u00e9m a cabe\u00e7a, o focinho e a extremidade dos membros<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de 1893 come\u00e7am a aparecer nas exposi\u00e7\u00f5es caninas francesas as duas variedades, Beauce e Brie, mas que ainda est\u00e3o longe das duas ra\u00e7as que conhecemos hoje. S\u00f3 a partir de 1897, no seguimento do trabalho de M\u00e9gnin, e com a nomea\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o que teve por miss\u00e3o fixar as caracter\u00edsticas destas duas ra\u00e7as, \u00e9 que o Pastor de Brie assume a sua designa\u00e7\u00e3o actual (Emmanuelle Francq, 2007).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/cpcsa.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/pastor_brie.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1242\" width=\"509\" height=\"190\" srcset=\"https:\/\/cpcsa.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/pastor_brie.png 954w, https:\/\/cpcsa.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/pastor_brie-300x113.png 300w, https:\/\/cpcsa.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/pastor_brie-768x288.png 768w\" sizes=\"(max-width: 509px) 100vw, 509px\" \/><figcaption>Pastor de Brie, fim do s\u00e9culo XIX (Luquet, 1987)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O conde de Castro de Guimar\u00e3es torna-se propriet\u00e1rio do Monte da Serra d\u00b4Aires em 1881. S\u00f3 oito anos mais tarde, em Fran\u00e7a, come\u00e7am os trabalhos conducentes \u00e0 individualiza\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a francesa, pelo que, ao tempo, exemplares t\u00edpicos n\u00e3o deveriam abundar.<\/p>\n\n\n\n<p>Cerca de quarenta anos depois da fixa\u00e7\u00e3o definitiva das caracter\u00edsticas e nome da ra\u00e7a do Pastor de Brie, come\u00e7am em Portugal os mais prof\u00edcuos trabalhos de caracteriza\u00e7\u00e3o do C\u00e3o da Serra de Aires, d\u00e9cada de quarenta do s\u00e9culo XX, que, \u00e0 data, e relembrando, existia em grande n\u00famero e com caracter\u00edsticas bem fixadas.<\/p>\n\n\n\n<p>No desconhecimento da data de introdu\u00e7\u00e3o do Pastor de Brie no Monte de Serra d\u2019Aires, e na admiss\u00e3o que s\u00f3 poder\u00e1 ter ocorrido ap\u00f3s 1881, verosimilmente no final do s\u00e9culo XIX, in\u00edcio do s\u00e9culo XX, sendo necess\u00e1rios sessenta anos para fixar as caracter\u00edsticas de uma ra\u00e7a canina, do que foi dito, pode questionar-se sobre a oportunidade e real contributo do Pastor de Brie no melhoramento do C\u00e3o da Serra de Aires.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/cpcsa.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/montemor.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1244\" width=\"370\" height=\"277\" srcset=\"https:\/\/cpcsa.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/montemor.png 523w, https:\/\/cpcsa.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/montemor-300x224.png 300w\" sizes=\"(max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><figcaption>C\u00e3o da Serra de Aires, 1950<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/cpcsa.pt\/?page_id=1239\">Origem <\/a>| <a href=\"http:\/\/cpcsa.pt\/?page_id=1241\">Evolu\u00e7\u00e3o Convergente<\/a> | <a href=\"http:\/\/cpcsa.pt\/?page_id=1247\">Via terrestre<\/a> | <a href=\"http:\/\/cpcsa.pt\/?page_id=1252\">Via mar\u00edtima<\/a> | <a href=\"http:\/\/cpcsa.pt\/?page_id=1255\">Evid\u00eancias gen\u00e9ticas<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Jo\u00e3o Ribeiro, Pedro Delerue, Helena Dornellas Cysneiros \u00c9 de aceita\u00e7\u00e3o consensual entre v\u00e1rios autores que o c\u00e3o de pastor de p\u00ealo comprido descende de um ancestral comum, o Ovcharka, um c\u00e3o origin\u00e1rio da R\u00fassia Meridional. \u00c9 igualmente aceite que a grande maioria dos c\u00e3es pastores de p\u00ealo comprido evolu\u00edram em ambiente de montanha. A &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/cpcsa.pt\/?page_id=1241\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">&#8220;Uma adapta\u00e7\u00e3o regional. Evolu\u00e7\u00e3o convergente&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cpcsa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/1241"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cpcsa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/cpcsa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cpcsa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cpcsa.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1241"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/cpcsa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/1241\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1266,"href":"https:\/\/cpcsa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/1241\/revisions\/1266"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cpcsa.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1241"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}