{"id":1252,"date":"2020-11-16T17:10:14","date_gmt":"2020-11-16T16:10:14","guid":{"rendered":"http:\/\/cpcsa.pt\/?page_id=1252"},"modified":"2020-11-16T18:09:01","modified_gmt":"2020-11-16T17:09:01","slug":"a-via-maritima","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/cpcsa.pt\/?page_id=1252","title":{"rendered":"A via mar\u00edtima"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por: Jo\u00e3o Ribeiro, Pedro Delerue, Helena Dornellas Cysneiros<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A bacia mediterr\u00e2nica \u00e9 desde h\u00e1 mil\u00e9nios a principal via de liga\u00e7\u00e3o entre os continentes Europeu, Africano e Asi\u00e1tico. Nas suas margens fundaram-se alguns dos maiores imp\u00e9rios que a humanidade conheceu e cresceram admir\u00e1veis e exuberantes civiliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ex\u00e9rcitos, mercadorias, min\u00e9rios, animais, tudo era transportado pelas suas \u00e1guas, numa imbricada rede comercial que ligava pa\u00edses do sul da Europa, do norte de \u00c1frica e do m\u00e9dio Oriente. Os romanos chamavam-lhe <em>Mare Nostrum, <\/em>tal a import\u00e2ncia que lhe atribu\u00edam.<\/p>\n\n\n\n<p>Com tamanha profus\u00e3o de interconex\u00f5es, n\u00e3o \u00e9, pois, de admirar que, ainda hoje, se encontrem ao redor da sua bacia incont\u00e1veis elementos de exist\u00eancias partilhadas, que se estendem pelos dom\u00ednios civilizacionais, sociais, etnogr\u00e1ficos, culturais, morfol\u00f3gicos, gen\u00e9ticos, etc..<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa perspectiva, n\u00e3o ser\u00e1 de estranhar, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 expect\u00e1vel que, tal como nos humanos, os animais, no caso, os c\u00e3es ib\u00e9ricos, partilhem c\u00f3digo gen\u00e9tico com c\u00e3es do norte de \u00c1frica, podendo isso constituir factor de diferencia\u00e7\u00e3o das ra\u00e7as europeias similares, quer morfol\u00f3gica, quer comportamental e funcionalmente. Estudos realizados por E. A. Pires et al. (2009) demonstram que o grau de diferencia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica entre ra\u00e7as ib\u00e9ricas e ra\u00e7as de c\u00e3es perif\u00e9ricas do Norte da \u00c1frica est\u00e3o abaixo do observado em muitas outras popula\u00e7\u00f5es de c\u00e3es, o que pode indicar ancestrais comuns.<\/p>\n\n\n\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, iniciada em 711 d.c. s\u00f3 terminou em 1492, quando os mu\u00e7ulmanos foram definitivamente expulsos pelos Reis Cat\u00f3licos, Fernando e Isabel. Uma presen\u00e7a t\u00e3o longa, de quase 800 anos, deixa marca indel\u00e9vel, ainda hoje presente, at\u00e9 na l\u00edngua portuguesa, onde se admite que existam cerca de 700 palavras de origem \u00e1rabe.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora apresente limita\u00e7\u00f5es noutros dom\u00ednios, por s\u00f3 apresentar informa\u00e7\u00e3o sobre a linhagem materna, a an\u00e1lise do DNA mitocondrial (mtDNA) \u00e9 uma robusta ferramenta para identificar n\u00edveis de diversidade gen\u00e9tica, estrutura filogen\u00e9tica e demografia recente de animais dom\u00e9sticos (A. E. Pires et al., 2006).<\/p>\n\n\n\n<p>Das ra\u00e7as portuguesas estudadas, o C\u00e3o da Serra de Aires \u00e9 uma das que apresenta menor diversidade gen\u00e9tica e um dos maiores valores de diferencia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica quando comparado com os c\u00e3es vadios portugueses (os que apresentam maior diversidade gen\u00e9tica). Algumas particularidades gen\u00e9ticas do C\u00e3o da Serra de Aires individualizam-no face \u00e0 generalidade das restantes ra\u00e7as portuguesas, s\u00f3 ultrapassado pela exclusividade do C\u00e3o de Castro Laboreiro, provavelmente um caso \u00fanico e n\u00edvel mundial. Atendendo \u00e0s suas caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas \u00fanicas, o C\u00e3o da Serra de Aires e o C\u00e3o de Castro Laboreiro, olhando apenas para o seu DNA mitocondrial, deveriam constituir prioridade de conserva\u00e7\u00e3o (A. E. Pires et al., 2006).<\/p>\n\n\n\n<p>Outros autores apontam, tamb\u00e9m, no sentido da diferencia\u00e7\u00e3o do C\u00e3o da Serra de Aires. Refira-se, pela sua relev\u00e2ncia, a cita\u00e7\u00e3o de Emmanuelle Francq ao trabalho de Correau (2006), que, baseado nas monografias de Gondrexon-Ives Browne (1974) et Vaissaire (1997), evidencia as liga\u00e7\u00f5es existentes entre as v\u00e1rias ra\u00e7as de c\u00e3es de pastor.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1002\" height=\"905\" src=\"http:\/\/cpcsa.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/relacao_entre_racas.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1253\" srcset=\"http:\/\/cpcsa.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/relacao_entre_racas.png 1002w, http:\/\/cpcsa.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/relacao_entre_racas-300x271.png 300w, http:\/\/cpcsa.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/relacao_entre_racas-768x694.png 768w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Segundo ele, seis popula\u00e7\u00f5es podem ser isoladas: i) c\u00e3es do tipo moloss\u00f3ide, frequentes na europa central; ii) pastores escandinavos, bem diferenciados das ra\u00e7as de pastor e classificados no grupo dos spitz; iii) pastores brit\u00e2nicos, que formam uma popula\u00e7\u00e3o morfologicamente distinta dos pastores continentais; iv) pastores continentais europeus, os mais numerosos e os mais pr\u00f3ximos entre as diferentes ra\u00e7as; v) pequenos c\u00e3es pastores da europa central, que podem manter alguma rela\u00e7\u00e3o de parentalidade com os c\u00e3es de gado locais, de defesa, sendo, contudo mais prov\u00e1vel a sua liga\u00e7\u00e3o \u00e0s ra\u00e7as de pastor de outros pa\u00edses; vi) os pequenos c\u00e3es de pastor dos piren\u00e9us e ib\u00e9ricos formam, segundo os autores, uma popula\u00e7\u00e3o isolada, embora sejam morfologicamente pr\u00f3ximos das grandes ra\u00e7as ocidentais.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/cpcsa.pt\/?page_id=1239\">Origem <\/a>| <a href=\"http:\/\/cpcsa.pt\/?page_id=1241\">Evolu\u00e7\u00e3o Convergente<\/a> | <a href=\"http:\/\/cpcsa.pt\/?page_id=1247\">Via terrestre<\/a> | <a href=\"http:\/\/cpcsa.pt\/?page_id=1252\">Via mar\u00edtima<\/a> | <a href=\"http:\/\/cpcsa.pt\/?page_id=1255\">Evid\u00eancias gen\u00e9ticas<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Jo\u00e3o Ribeiro, Pedro Delerue, Helena Dornellas Cysneiros A bacia mediterr\u00e2nica \u00e9 desde h\u00e1 mil\u00e9nios a principal via de liga\u00e7\u00e3o entre os continentes Europeu, Africano e Asi\u00e1tico. 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